Como Controlar a Raiva em 10 Passos (O Guia Definitivo)

Como Controlar a Raiva em 10 Passos (O Guia Definitivo)

É muito rápido que acontece, você não percebe e ainda acredita que não tem controle. Sente o sangue fervendo, o tom da voz aumenta, as mãos e os dentes se contraem, uma inquietação surge, o racional desaparece e a única vontade nesse momento é explodir.

Aquela vontade de esgoelar alguém, arremessar pela janela, socar, xingar, chutar, enfim, descarregar… Isso costuma acontecer com você?

Então, relaxa, você é normal! Aliás, me perdoe o equívoco, mas você não é normal não. Você é comum! É a pessoa do “piti”, do “chilique” e isso não é normal. É muito comum, mas não é normal, entenda a diferença.

Raiva é suicídio em gotas, uma fábrica de doenças cientificamente comprovada e além disso, seu portador ganha má fama e pode ser até que tenha vários apelidos na roda de “amigos” e nem desconfie…

Em todo o caso, vou te mostrar como controlar a raiva em 10 simples passos. Mas antes, você precisa saber que controlar não vai diminuir o problema.

Controle não diminui o problema

Assim como um remédio, que só atua nos sintomas e não na causa da doença, controlar a raiva é como tomar um medicamento, só vai remediar os sintomas…

Os ataques de raiva vão continuar surgindo da mesma forma, nas mesmas quantidades e intensidades, porque controlar a raiva não vai cortar o mal pela raiz.

Mesmo que eu te mostre 1.000 de técnicas para controlar a raiva, de nada adiantaria nenhuma delas se você não entender a origem dessa raiva. Você vai ficar sempre identificando e controlando, em uma espécie de loop infinito.

A partir desse conhecimento, é fundamental entender quais

Emoções que desencadeiam a raiva

como controlar a raiva

Todos os seres humanos possuem 4 emoções básicas:

  • Medo
  • Tristeza
  • Raiva
  • Alegria

Na literatura científica é comum encontrar a nomenclatura “emoções básicas” para diferenciar diversas classes dos fenômenos emocionais.

Porém, assim como não existe um consenso quanto ao modelo teórico que explica o funcionamento emocional, também não existe uma definição clara em relação a quantas e quais são as emoções básicas.

Por exemplo, algumas literaturas incluem o nojo, o desprezo, a repulsa e a surpresa como emoções básicas também… Eu as considero como emoções consequentes do medo e da raiva, mas isso não é importante nesse momento.

Para fins didáticos, não vamos nos aprofundar, nem discutir literaturas contraditórias a essas 4 emoções básicas, isso não é relevante aqui.

É importante você saber que as 4 emoções básicas possuem 2 versões, positivo e negativo, que na Neurociência chamamos de Escala de Valência. A raiva abordada aqui é a negativa, ou seja, a impulsividade.

Então, vamos focar na raiva e como ela se manifesta, ok? Basicamente, no ser humano, a raiva é manifestada no transcorrer de duas emoções básicas:

O Medo

Emoção do Medo

O medo é um dos maiores inimigos da humanidade, campeão em gerar crenças limitantes, mas isso vou deixar para falar em outra oportunidade. Aqui é importante destacar os 3 comportamentos decorrentes do medo:

  • Fuga
  • Ataque
  • Congelamento

Nos animais, esses 3 comportamentos são muito claros: fugir, atacar ou se fingir de morto. Mas nas pessoas, nem sempre é tão claro assim. Veja alguns exemplos:

Uma pessoa com medo de falar em público, escolhe sentar-se no fundo da sala de reuniões porque considera assim, diminuir as chances de ser convidada a falar (fuga).

Alguém com timidez crônica, pode ficar bloqueado ao se ver com um microfone na mão (congelamento). O congelamento é a dúvida inconsciente se foge ou ataca. Nesse caso, se sai correndo ou encara a situação.

Por fim, uma pessoa que sofre bullying diariamente, em certa ocasião, se vê encurralada sob o olhar raivoso dos carrascos. Nesse instante, num impulso, resolve lutar e acabar de vez com essa situação (ataque).

A raiva derivada do medo é mais comum em animais e pouco acontece, em proporção, com a raiva derivada da próxima emoção,

A Tristeza

Emoção da Tristeza

Sim, a raiva pode nascer da tristeza também e, aliás, é muito frequente. Mas para entender melhor como isso acontece, é importante você conhecer bem os sentimentos causados por essa emoção.

Todas as 4 emoções básicas têm duas versões, dois lados. Um positivo e outro negativo. Toda emoção em seu lado negativo promove mais emoções negativas e o contrário também é verdadeiro, toda emoção positiva promove mais emoções positivas.

A tristeza no negativo é a que mais causa sentimentos derivados da raiva, como: aversão, desprezo, repulsa, ódio, fúria, etc. Entenda agora o por quê.

Tristeza no negativo

Essa é a emoção que assola a maioria esmagadora da população mundial. Eu diria 85% se não mais… (Não há dados oficiais para isso, que eu saiba).

Tristeza no negativo é o ato de transformar autorresponsabilidade em culpa. E nesse processo, retirando de si mesmo e passando para o outro.

Deixando mais claro, é a característica de transferir a responsabilidade de si colocando culpa em outra pessoa, grupo ou situação. A palavra-chave dessa emoção é vitimismo.

Uma vítima não tem controle da situação, logo, o vitimista também. Sempre vai existir alguém para ser culpado, o governo, o vizinho, a burguesia, os parentes, o patrão, a humanidade… Enfim, a lista é interminável…

Prefere, inconscientemente, levar uma vida completamente desgraçada do que assumir a responsabilidade e se enxergar como coparticipante da situação, mudando assim a sua realidade. E esse é o ponto da virada.

Por mais infeliz que esteja, ainda assim é uma posição muito confortável ser vítima, porque ela se vê sem responsabilidades. O “vítima” está livre para criticar sem culpa de nada.

O vitimismo se apresenta de várias formas, ele não gosta de surpresas desagradáveis. Aliás, ninguém gosta, entretanto, quando há tristeza no negativo, o simples fato de algo não sair como esperado, já serve como estopim para a raiva.

Alguém caminhando, distraído, esbarra contra o braço do vitimista. Pronto! Gatilho da raiva disparado com sucesso! O fato que não era esperado (a topada) provocou a interpretação de que a culpa é do outro que não viu sua presença. Resumindo: sentimento de vítima.

É claro que o humor influencia diretamente nas reações. Não existe regra e sim probabilidades. Quando se vibra na tristeza no negativo, o comum é ser mais pessimista, logo, momentos apropriados para a raiva são mais prováveis.

Por isso é fundamental entender as emoções básicas. Dessa forma, os momentos apropriados para um início de raiva começam a ficar menos prováveis e ela começa a transmutar para outros estados de espírito.

Tristeza no positivo

Justamente o oposto, óbvio, né! É a capacidade de entender seus pontos fortes e fracos e reconhecer o seu papel na situação. A palavra-chave dessa emoção é humildade.

O conceito verdadeiro da palavra humildade não tem nada a ver com fraqueza, pobreza, escassez de luxo ou submissão. Tem a ver com modéstia, despretensão, empatia e gratidão. Existe um conceito muito distorcido do que é humildade atualmente.

E a humildade carrega em si a autorresponsabilidade. Sendo assim, quem tem o privilégio de acessar a humildade, automaticamente sente-se responsável pela vida que tem e por TODOS os acontecimentos que ela proporciona.

E é justamente por isso que a tristeza no positivo (humildade), não dá espaço para a raiva no negativo (impulsividade) se manifestar. Negativo só promove negativo, lembra?

Escolha um lado e comece a jogar!

São esses 2 pontos de vista que regem a humanidade. Você pode sentir a dor do outro, defender causas em nome dos desfavorecidos e ao mesmo tempo não ser vitimista, entendendo que cada pessoa tem sua parcela de autorresponsabilidade.

Por outro lado, se você foca no vitimismo e não aceita os problemas que ele pode gerar e pouco do que te falei aqui fez sentido até agora, recomendo que não perca seu tempo com a leitura. Nada te fará parar de ter raiva descontrolada.

E eu disse descontrolada intencionalmente porque está impregnado no seu subconsciente que você não tem controle, logo, você é uma vítima e gosta disso.

Como controlar a raiva?

Eu sei que parece enrolação, eu poderia ter começado daqui, mas confesso que não dormiria tranquilamente se não explicasse toda essa logística das emoções.

Saber identificar qual a emoção está sentindo e quais são suas vertentes, poderá mais do que te ajudar a controlar uma situação específica de raiva. Pode te ajudar a ressignificar crenças que te limitavam em relação à causa dela, diminuindo drasticamente situações que levariam ao gatilho da raiva.

E é exatamente por isso que eu disse lá no início que é muito melhor conhecer uma emoção do que ficar controlando toda a vez que ela aparecer.

Seria um ciclo sem fim de situações de raiva identificadas e corrigidas em loop por toda a vida, sem um mínimo de conhecimento de causa.

Conhecer as emoções básicas diminui as situações corriqueiras que normalmente te deixariam com raiva. Te faz ter compreensão, ter empatia por si mesmo. E empatia por si mesmo abre portas para compreender o outro.

Passo 1: Observação sem acusação

Para observar, eu parto do princípio que você reconhece que tem um problema com a raiva e que deseja melhorar. Caso contrário, não vai funcionar nada daqui pra frente. Lembra: a palavra-chave é humildade.

Nesse momento, você está com raiva, aceite que a emoção surgiu e está tudo bem! Permita-se sentir essa raiva e observe como o seu corpo reage à essa emoção.

Dominar a raiva é um processo e não confunda com prender a raiva. Muito pelo contrário, é permitir a emoção. Pesquisas comprovam que segurar a raiva pode trazer graves consequências para seu corpo, é a chamada raiva para dentro (RPD). Então, solte, permita-se sentir essa emoção!

Perceba a raiva no momento em que ela está acontecendo, mas se não conseguir, não tem problema, você está seguindo um processo e é natural que no começo chegue atrasado para observá-la.

Perceba como o seu corpo reage no momento da raiva, compreenda tudo o que seu corpo está dizendo e anote:

  • O que sente no momento?
  • O coração acelera?
  • As mãos esquentam?
  • Começa a respirar de boca aberta?
  • Como é a respiração nessa hora?
  • Quais pensamentos predominam?
  • E o que mais?

Mas preste atenção agora: Se você nunca consegue perceber o momento exato em que a raiva acontece, só percebendo quando já é tarde demais, ligue um alerta! Talvez precise de ajuda médica. No final desse artigo eu falo mais sobre isso. Por enquanto apenas siga os passos.

Passo 2: Identifique os gatilhos

Sentir raiva é natural e normal. O que não é normal é ter chilique. Não culpe ninguém por ter essa emoção. Aliás, troque do seu vocabulário a palavra culpa por responsabilidade, o fardo é mais leve.

A partir de agora você não tem mais culpa de nada, somente responsabilidades. Observe a emoção e faça perguntas inteligentes do tipo:

  • Qual o objetivo dessa raiva?
  • Qual minha necessidade interna não foi atendida?
  • O que exatamente não saiu como eu planejei?
  • Em que momento exato eu comecei a me sentir assim?
  • O que estava acontecendo quando a raiva chegou?
  • Eu já me senti assim outras vezes?
  • Quais são os pensamentos que tenho durante a raiva?

Essas reflexões vão te ajudar a compreender qual foi o gatilho principal da raiva e também através de qual emoção ela partiu. Consequentemente, começa a entender a relação entre os eventos e assim, diminuir as causas.

A partir daí, conforme suas respostas, se possível afaste-se desses gatilhos. Recrie mentalmente cenas em que esses gatilhos acontecem e treine como pode agir de forma mais descontraída nessas situações.

Esse simples treino mental tem o poder de ressignificar e trazer clareza do motivo de muitas situações corriqueiras de acesso à raiva. Por isso é muito importante anotar e reviver os gatilhos.

Passo 3: Contar até 10?

“Na hora da raiva, conte até 10 que passa!”

Eu acredito que você já testou contar até mais do que 10 para tentar controlar a raiva. E também acredito que não conseguiu nada com isso, visto que algumas pesquisas já comprovaram que a contagem não diminui a raiva, muito antes pelo contrário, ela aumenta.

Durante a contagem e até um tempo depois, é muito comum a pessoa ficar remoendo (ruminando, na psicologia) o sentimento e por isso a raiva tende a aumentar.

A contradição aqui é que muitas campanhas médicas e publicitárias continuam compartilhando da ideia que contar faz a raiva passar. Veja uma delas aqui abaixo, tem 30 segundos apenas, vale a pena conferir.

Pode ser que você esteja se perguntando nesse exato momento: “Afinal de contas, contar até 10 faz a raiva passar ou não?”

Na verdade, o que passa é a vontade de matar alguém. Contar até 10 diminui as chances de um possível ataque de fúria, também conhecido como sequestro emocional pelo psicólogo Daniel Goleman, o pai da inteligência emocional.

Então, para evitar um ataque de fúria, conte até 10. É por isso que essa campanha é válida. Sua intenção é diminuir os casos de homicídio, e funciona!

O que você precisa entender é que contando ou não, a raiva vai continuar lá, intacta e talvez até pior do que antes. O que vai diminuir é a probabilidade de um ataque de fúria, de um sequestro emocional.

Mas por que 10 segundos? Esse é o tempo estimado em que um hemisfério do cérebro leva para conversar com o outro e resolvam entrar em um acordo. É o tempo em que estímulo/reação entram em harmonia. Em outras palavras, é o momento onde a emoção pede ajuda para a razão antes de fazer m3xd@.

Resumindo, estar consciente para contar durante a raiva pode ser uma técnica muito poderosa para a conscientização dela e não para o controle. Na maioria das vezes, contar motiva a projeção da raiva para dentro (RPD).

Passo 4: Um ponto de vista diferente

Aqui está uma fórmula poderosa para controlar a raiva, mas vai exigir um pouco de treino. Ela se chama autodistanciamento. É a técnica de observar uma situação que acontece com você como se você estivesse fora do seu corpo, dissociado.

Dissociação é “estar separado” e não somente se enxergar assim, mas também incluir o tratamento na terceira pessoa. Você vai rever a cena mentalmente como se estivesse assistindo a si próprio no cinema.

Foi o que constatou o Doutor em Psicologia Dominik Mischkowski, professor na Universidade de Ohio, em um experimento abrangente que visava entender os benefícios da perspectiva psicologicamente distanciada.

Finja que você é uma mosca na parede, observando a cena na medida em que ela se desenrola. Essa é a técnica, resumida para você colocar em prática.

Passo 5: Respiração conectada

A essência da vida é a respiração. Quando aprendemos a respirar com consciência, a vida flui com consciência. Prepare-se, essa respiração é poderosa e traz relaxamento instantâneo, o relaxamento libera tensões e ao liberar as tensões, a raiva se dissipa.

Eu confesso que sou fã das técnicas de respiração consciente. A respiração conectada é uma das técnicas desenvolvidas por Leonard Orr, criador do Rebirthing, a respiração do Renascimento, que é uma espécie de terapia de autoconhecimento.

E aí, está preparado para começar essa respiração e se livrar de uma vez por todas dos momentos de acesso à raiva? Então vamos lá!

Respiração Para Controlar a Raiva

Inspire e expire pelo nariz. Mantenha a língua entre os dentes com os lábios fechados. A ponta da língua pode ficar tanto para cima, atrás do lábio superior, quanto para baixo, atrás do lábio inferior. Você escolhe a melhor posição.

Essa respiração, com a língua entre os dentes, é ideal para momentos de raiva. Se quiser praticar essa respiração em outros momentos ou estados de humor, faça normalmente, com a língua relaxada.

São 4 respirações curtas seguidas e 1 profunda, concluindo 5 respirações no primeiro ciclo. Agora repita este ciclo por 4 vezes sem fazer pausas, totalizando 20 respirações conectadas.

Essa respiração não deve ser forçada, a exalação deve ser relaxada, como um balão que se esvazia sozinho. O ritmo não deve ser lento nem rápido, mas ativo.

Essa é uma das técnicas mais eficazes a curto prazo para controlar a raiva. Após fazer este exercício, alguns sintomas podem acontecer, como as mãos ficarem levemente dormentes, ou pode sentir uma leve tontura, formigamentos, etc.

Isso acontece devido à hiperventilação, seu cérebro vai receber mais oxigênio do que o habitual, mas não se assuste, respirar é viver, então não há contraindicação para isso. Apenas desfrute desse momento o máximo possível.

Para praticar essa respiração guiada por mim, baixe agora gratuitamente o ebook 20 Exercícios Práticos Para Turbinar O Seu Controle Emocional. Lá eu mostro detalhadamente em vídeo essa técnica da respiração conectada.

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Passo 6: Autocinética

A Autocinética, criada pelo antropólogo Bradford Keeney, é mais uma técnica que serve para diferentes propósitos, dentre eles, revitalizar o corpo, combater o estresse, expandir a criatividade, focalizar a mente e também controlar a raiva.

Não existe certo ou errado na prática da Autocinética. A intenção é praticar sem trazer preocupações com os passos. Você pode fazer quantas vezes quiser ou quando desejar trocar sua frequência mental. Vamos começar?

Sentar

Sente-se de maneira confortável, com o tronco ereto, de modo que as costas não fiquem escoradas. Seus pés devem ficar apoiados no chão e os braços devem ficar soltos, o mais confortável possível, como você preferir, menos cruzados.

Respirar

Feche os olhos e faça uma respiração profunda, da maneira que achar melhor. Mantenha essa respiração por alguns segundos, até você sentir que está mais confortável. Pode ser algo entre 10 segundos a um minuto, o que achar melhor.

Reparar

Comece a perceber agora um dos diversos ritmos do seu corpo. O mais fácil de perceber é o fluxo da respiração, mas pode ser o ritmo do coração, o pulso no pescoço ou nos pés, etc.

Há pessoas, inclusive, que conseguem perceber o fluxo sanguíneo nos braços. Se conseguir, pode tentar isso também. Se escolheu a respiração, sinta como o ar entra e sai, acompanhe o percurso com sua atenção.

Tocar

Permaneça com os olhos fechados e pressione, por até 5 segundos, com a ponta de seus dedos médios o canto interno de olhos, bem na raiz do nariz. Relaxe completamente ao fazer esse toque. Pode ser que você fique com uma sensação de tontura, é a Autocinética fazendo efeito.

Movimentar

Agora deixe que seu corpo inicie um movimento de embalo sem forçar. Pense em um pêndulo ou imagine-se em uma cadeira de balanço. Note que o movimento começa a acontecer nesse instante. Deixe acontecer instintivamente, você não dá comandos, apenas flua…

Pensar

Pense no propósito que você tem para este momento, se acalmar, relaxar, resolver um problema, seja lá qual for. Deixe esse objetivo presente na sua mente por alguns segundos.

Depois, pode desapegar desse objetivo. Não há necessidade de ficar com ele na mente, volte sua atenção para o ritmo do corpo que você escolheu anteriormente e continue no embalo despretensioso do corpo.

Consentir

Permita-se que os movimentos fiquem mais fortes. É como se o seu corpo estivesse sendo embalado pelo universo. Sinta-se bem. Esses movimentos vão sendo contagiados por outras partes do corpo.

Se preferir, você pode cantar, assobiar, até dançar, desde que seja espontâneo da sua parte. Permaneça com os olhos fechados e aprecie esses movimentos até que parem naturalmente.

Agradecer

Quando parar os movimentos, agradeça por permitir-se, agradeça seu corpo e sua mente pela prática do exercício. Abra os olhos de vagar e perceba que em volta tudo estará mudado. A energia densa da raiva foi transmutada.

Para praticar essa técnica guiada por mim, baixe agora gratuitamente o ebook 20 Exercícios Práticos Para Turbinar O Seu Controle Emocional. Lá eu mostro detalhadamente em vídeo como funciona a Autocinética.

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Passo 7: Estímulo audiovisual

O único sentimento que tem o poder dissolver instantaneamente com a raiva e seus sentimentos derivados é o amor. Mas como sentir amor durante a raiva?

Eu acredito que exista alguém nessa vida que seja muito importante para você, talvez um filho, uma filha, a mãe, o pai, um afilhado… Enfim, alguém você ama.

Então, em momentos de raiva, ter uma foto dessa pessoa mais importante, guardada na sua carteira, será surpreendente. Somente esse estímulo visual já tem o poder de acabar com a raiva.

Só existe um pequeno problema nessa situação. O corpo humano é estimulado através dos 5 sentidos, visão, audição, tato, olfato e paladar. E todas as pessoas têm um sistema representacional primário, ou seja, cada pessoa é predominantemente visual, auditiva ou cinestésica.

Sendo assim, talvez uma foto não seja o suficiente para acalmar uma pessoa predominantemente auditiva. Nesse caso, ouvir mensagens de carinho dessa pessoa amada, será mais eficiente do que um estímulo visual, como um áudio gravado em whatsapp, por exemplo.

E agora, talvez você esteja se perguntando: Mas o que eu sou? Visual ou auditivo? Calma, que você ainda pode ser cinestésico, que é a mistura de tato, olfato e paladar juntos ou ainda pode ser digital, que é a mistura disso tudo com pitadas do auditivo, mas não vamos levar esse em consideração agora.

Com certeza você é um pouco dos 3, mas veja bem, um deles é o mais evidente. Então, se você não souber qual o seu sistema representacional primário, o melhor é ter um vídeo gravado dessa pessoa dedicando algumas palavras de carinho a você.

Assim você será estimulado audiovisualmente. Ok, eu sei, ainda falta resolver um. E os cinestésicos?

  • Visão (VER)
  • Audição (OUVIR)
  • Cinestesia (SENTIR)

Caso seja cinestésico, use uma estratégia auditiva, como um áudio ou vídeo, porém, feche seus olhos e toque o seu rosto enquanto pensa na pessoa que está ouvindo. Será mais do que suficiente para acalmar sua raiva, respeitando o seu sistema predominante.

Teste os 3 e perceba qual te faz mais sentido. Você tem nas mãos, a partir de agora, uma arma poderosa e com isso vai saber como controlar a raiva com amor.

Passo 8: Retrospectiva divertida

Eu resolvi chamar assim um exercício que aprendi com Tony Robbins, que consiste em distorcer um padrão limitador, ou seja, desvincular a dor emocional da lembrança. Esse exercício é muito poderoso e ao mesmo tempo fácil de fazer:

Relembre

Reveja na sua mente a situação que está te incomodando, repasse por todo o acontecimento, por mais dor e raiva que sinta. É muito importante que você relembre com detalhes a cena nesse passo para que seja mais eficiente a técnica.

Ela funciona tanto para o momento em que está acontecendo a situação, quanto para algo que já aconteceu há muito tempo, mas que ainda está te assombrando e te causando dor, até mesmo traumas podem ser resolvidos com essa técnica.

Transforme a cena

Agora que você já organizou cada sequência da cena, transforme esse filme em desenho animado. Assista de forma dissociada, como já aprendeu com o autodistanciamento, e coloque um sorriso no rosto, afinal de contas é aquele seu desenho favorito que está passando agora em sua tela mental.

Só o fato de transformar o episódio em desenho animado já alivia a carga emocional do evento, mas vamos adiante… Projete a sequência de trás para frente, vendo tudo acontecer ao contrário. Acelere mais ainda…

Se alguém falou alguma coisa, imagine essa pessoa engolindo cada uma de suas próprias palavras. Faça o desenho, de modo acelerado, ir para frente e para trás.

Agora, adicione cores vivas à cena. Imagine cada personagem com as cores do arco-íris no rosto. Se alguém que te deixou com raiva, imagine seu nariz se transformando em nariz de palhaço e suas orelhas, em orelhas de burro.

Repita tudo isso umas dez vezes. Adicione uma trilha sonora na cena. De preferência uma trilha engraçada, aquelas melodias típicas de desenho infantil ou comédia pastelão. Isso tudo vai com certeza, mudar suas emoções. Basta que você imagine tudo na sequência em intensidades certas.

Avalie o sentimento

Como está se sentindo agora? Conseguiu rir da situação? Eu acredito que sim. Se você estiver dissociado, como se estivesse no cinema, as chances são de que você consiga aliviar a raiva muito mais do que se imaginando através de seus próprios olhos. O segredo é o autodistanciamento.

Essa técnica é muito mais eficaz do que tentar analisar as razões para o acontecido. Analisar não muda as sensações que você associa à situação. A medida que mudamos as cenas e os sons de um evento, mudamos como nos sentimos, eliminando de vez com a raiva.

Passo 9: Mude a fisiologia

Cada emoção tem uma fisiologia específica associada: expressão facial, postura, respiração, etc. O que não te falaram é que você tem o controle de reverter esse caminho. Por exemplo, ao adotar a fisiologia da alegria, seu cérebro vai te fazer ficar alegre, mesmo estando com muita raiva.

É assim que funciona, o cérebro diz: “Ei, você está com raiva agora! Trate de começar a falar gritando, cerrar os punhos e franzir as sobrancelhas já!”. Ou seja, a fisiologia obedece a um comando para gerar congruência com o sentimento, e isso acontece de forma automática. Contudo, ao adotar a postura da alegria, o que vai acontecer?

Pode ser apenas um simples sorriso largo no rosto. Seu cérebro vai te dizer: “Ué, nós estamos com raiva, porque você está sorrindo, seu idiota?”

O importante é não desistir ou se zangar com isso, porque ele vai te xingar mesmo, você sabe que é verdade, ele sempre faz isso com você. Então, ele continua:

“Ei, aonde você quer chegar com isso? Eu estou ficando cansado de gerar os neurotransmissores da raiva, você não me deixa tranquilo assim.”

Continue e dentro de alguns poucos minutos ele se renderá:

“Ok, se você quer tanto se sentir alegre, então vou te ajudar, toma aí os neurotransmissores da alegria, pô!”

Na hora da raiva, perceba sua fisiologia e quebre esse padrão, você pode sorrir, cantar, levantar as mãos, fazer o “V” da vitória com os braços, bater palmas com toda a força. Tudo isso vai fazer você mudar o modo como se sente instantaneamente. Faça o teste, você só precisa perceber a raiva no momento em que ela acontece.

Passo 10: Empatia crônica

Ter a habilidade de se colocar no lugar do outro parece uma virtude, mas como ter esse nível de empatia quando estamos sob a emoção da raiva?

Empatia é a conexão automática que se forma com a aquela pessoa agradável, bonita e simpática. Entretanto, quando não “bate o santo”, é um desafio e exige a vontade de querer entender e aceitar valores que pertençam ao outro.

Em outras palavras, ser empático em situações adversas não é virtude, nem significa excesso de estudo ou inteligência, é esforço empregado com sabedoria. Além de tudo, na emoção raiva não há a mínima vontade para mais nada, a não ser sentir mais raiva ainda. Você tem a capacidade para controlar e escolher.

A proposta aqui é fazer um esforço para se colocar no lugar da pessoa “infeliz” que “te irritou”. Vale a pena.

Um exercício prático

Quando você atribuir a sua irritação a uma pessoa, esteja atento ao momento exato da raiva e faça alguns questionamentos em pensamento:

  • Pobre infeliz, deve estar sofrendo
  • Coitada dessa pessoa, seu dia não deve ter sido nada bom
  • Talvez tenha perdido o emprego hoje
  • Talvez alguém querido esteja no hospital
  • Talvez esteja com problema sério de saúde
  • Tudo o que ela quer agora é que eu contribua com isso
  • Não me permito descer nessa frequência, sei que vou sofrer também

Se você tem mais ideias, adicione na lista. Isso vai te ajudar a começar a entender melhor a dor do outro.

A busca pela empatia não é para agradar ao outro, mas para que você fique bem. Entender ao outro não pressupõem sentir a dor do outro, mas compreender e respeitar que ele está em sofrimento, sem precisar sofrer junto.

Conclusão

“Não há nada de erado em sentir raiva. Errado é ficar remoendo”

Leandro Borges

A raiva é uma emoção que vem companhando a maioria das criaturas nos diversos estágios evolutivos, por vezes, se originando de emoções mais novas, porque as emoções também estão em evolução.

E o mais importante é você saber que todos nós sentimos raiva. E isso não é ruim, é natural e comum. Contudo, aqueles que conseguem perceber como tudo acontece nos bastidores da mente, sabem como controlar a raiva com sucesso.

O problema é quando você começa a remoer, ou quando não consegue perceber o momento da raiva, ou ainda, quando começa a pensar em vingança. Nesses casos, acenda um alerta e procure ajuda profissional.

A raiva à toa pode representar um quadro crônico, ligado ao estresse, chamado de Transtorno Explosivo Intermitente (TEI).

  • Você explode pelo menos 2 vezes na semana?
  • Essas explosões são desproporcionais aos eventos que o geraram?
  • Costuma não premeditar esses comportamentos agressivos?
  • Costuma ter vergonha, culpa, arrependimento ou tristeza depois dessas explosões? 
  • Costuma quebrar ou arremessar objetos, independente do valor que eles tenham?

Se a resposta foi sim para a maioria dessas perguntas, as chances de você precisar de ajuda são grandes e somente quem poderá fazer um diagnóstico preciso é o profissional adequado.

Todos têm a capacidade de controlar suas emoções e é por isso que o cérebro está posicionado acima do coração. Agora, se você anda sendo controlado pelas suas emoções, certifique-se que não está andando de cabeça para baixo.

Autor desconhecido

Eu espero que esse conteúdo faça a diferença na sua vida prática e quero muito saber se você conhece alguma técnica para controlar a raiva que eu não coloquei nesse artigo? Comente aqui, vou adorar saber mais sobre esse assunto que me encanta!

Fontes:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/1632389
http://ref.scielo.org/7hgzt8
http://ref.scielo.org/4yky9c
http://hdl.handle.net/10400.10/842
https://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2168645/Angry-Counting-worst-thing--makes-furious.html
https://psychcentral.com/news/2012/07/03/self-distancing-can-calm-aggression/41098.html
https://www.sciencedaily.com/releases/2012/07/120702153216.htm
https://www.medicalnewstoday.com/articles/162035.php
https://pt.slideshare.net/sergioantoniojnr/autocintica

Livros:

GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional - a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente, Editora Objetiva, 1995

ROBBINS, Tony. Desperte o seu gigante interior - como assumir o controle de tudo em sua vida, Editora Best Seller, 2017

Vídeos:

https://youtu.be/qCf8NVJ5Gg0

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